De 31 de agosto a 4 de setembro, representantes dos Fundos Comunitários que integram a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia (RFCA) estiveram reunidos em Carolina, no Maranhão, para o III Intercâmbio da Rede. Com o Fundo Indígena Timbira como anfitrião, o encontro foi um espaço de troca de experiências, fortalecimento de alianças e construção coletiva a partir das realidades e dos desafios vivenciados nos territórios amazônicos.
O intercâmbio teve como tema “Financiamento direto para os territórios e a conexão das experiências locais da Amazônia com os espaços internacionais, como as Semanas do Clima e as COPs“, reunindo integrantes de diferentes iniciativas de fundos comunitários para compartilhar aprendizados, refletir sobre a conjuntura e fortalecer estratégias comuns de atuação.
A programação teve início com a abertura e a mística inicial, seguida pelas boas-vindas do Fundo Timbira e pela apresentação dos oito fundos participantes. Na sequência, os participantes conheceram mais profundamente o território e a trajetória do Fundo Indígena Timbira, incluindo seu contexto internacional e suas alianças.

Para Jaqueline Alcantara, do Fundo Quilombola Mizizi Dudu, o intercâmbio foi uma oportunidade de ampliar conhecimentos e fortalecer a atuação dos fundos comunitários a partir da troca entre diferentes experiências.
“Conhecer esse processo de construção é importante para nosso fortalecimento enquanto Rede de Fundos. Saber quais os processos, caminhos que outros fundos estão fazendo é importante para nossa reflexão do que aprender e do ensinar. Um Fundo integrando ideias, dando sugestão e aprendendo uns com os outros”.
A programação também dedicou espaço à análise de conjuntura a partir dos territórios e ao trabalho coletivo. Os participantes realizaram uma atividade de grupo e, posteriormente, discutiram o rascunho da carta da RFCA, construindo coletivamente seus ajustes e a versão final do documento.
Anfitrião do encontro, Fundo Timbira compartilha trajetória e território
Receber o III Intercâmbio foi também uma oportunidade para o Fundo Indígena Timbira apresentar sua experiência, seu território e os caminhos percorridos na construção de suas alianças.
Para Jonas Pynheh, do Fundo Indígena Timbira, a realização do encontro envolveu um processo de organização coletiva e, ao mesmo tempo, representou uma oportunidade de receber os demais fundos no território e compartilhar a experiência do povo Timbira.
“Receber a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia é uma alegria, a gente pode mostrar nossa realidade, nossa cultura, nossos projetos e nosso território, a gente aprende em todos os momentos enquanto estamos juntos. A gente cresce a partir dessas trocas nos Intercâmbios”.
A vivência territorial foi um dos momentos centrais do intercâmbio. No dia 2 de setembro, os participantes seguiram para o território Apinajé, onde passaram o dia em uma programação junto à comunidade. No dia seguinte, a atividade ocorreu no território Krikati, encerrando um ciclo de intercâmbio e aprendizado diretamente nos territórios.
As atividades possibilitaram que a troca entre os fundos ultrapassasse os espaços de reunião e formação, aproximando os participantes das diferentes realidades, estratégias e formas de organização existentes nos territórios.
Uma rede construída a partir dos territórios
A diversidade das experiências presentes no encontro também reafirmou a importância da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia como espaço de articulação entre iniciativas que nascem e se fortalecem a partir das próprias comunidades e territórios.
Josimara Baré, coordenadora do Fundo Indígena Rutî, iniciativa do Conselho Indígena de Roraima (CIR), destacou a importância da Rede e o significado de fazer parte de uma articulação que reúne diferentes experiências de fundos comunitários da Amazônia.
“A Rede de Fundos Comunitários da Amazônia é uma aliança de povos indígenas, quilombolas, extrativistas, agricultores familiares, mulheres rurais e comunidades tradicionais que atuam em fundos comunitários, criados e administrados pelos movimentos sociais, que fortalecem a autogestão, a autonomia e a defesa dos territórios, garantindo acesso direto à recursos, para o apoio ao protagonismo dos povos que preservam o bioma Amazônia, no enfrentamento à crise climática.“

Ao longo do encontro, essa perspectiva esteve presente nas discussões e na construção coletiva dos próximos passos da Rede. O último dia do intercâmbio foi dedicado justamente à definição de encaminhamentos e à avaliação do encontro, encerrando uma semana marcada pelo diálogo, pela troca de saberes e pela construção coletiva.
Fundos Comunitários da Amazônia constroem declaração para as eleições de 2026
Um dos principais resultados políticos do III Intercâmbio foi a construção coletiva da Declaração das Organizações e da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia para as Eleições 2026.
O documento não é uma carta partidária. Trata-se de uma manifestação política das organizações e dos territórios diante dos projetos de sociedade em disputa nas Eleições de 2026, em um contexto nacional e internacional marcado pelo agravamento da crise climática, pelo avanço da extrema direita, pelo aumento dos conflitos e das guerras, pela pressão sobre os territórios e os recursos naturais, pela criminalização de movimentos sociais, lideranças e defensores de direitos e por ameaças aos direitos conquistados, à democracia e à soberania dos povos.
A iniciativa reafirma o compromisso das organizações e dos fundos comunitários com a defesa dos territórios, dos direitos, da democracia, da justiça socioambiental e da soberania dos povos, posicionando suas experiências e perspectivas diante do cenário político que marca as eleições de 2026.
Fortalecimento da Rede

Mais do que um encontro entre organizações, o III Intercâmbio da RFCA reafirmou a importância da construção coletiva entre os fundos comunitários da Amazônia. Ao longo de cinco dias, a programação combinou momentos de diálogo e análise, troca de experiências, construção política e vivência nos territórios.
A realização do encontro em Carolina, tendo o Fundo Indígena Timbira como anfitrião, permitiu fortalecer vínculos entre os diferentes fundos e ampliar o reconhecimento das estratégias construídas pelas comunidades para responder aos desafios presentes nos territórios.
Com novos aprendizados, encaminhamentos e uma declaração política construída coletivamente, o III Intercâmbio deixa como resultado o fortalecimento da articulação entre os fundos e da Rede como espaço de diálogo, solidariedade e construção de alternativas protagonizadas pelos povos e comunidades da Amazônia.
Leia abaixo a íntegra da Declaração das Organizações e da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia para as Eleições 2026.
DECLARAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES E DA REDE DE FUNDOS COMUNITÁRIOS DA AMAZÔNIA











