No dia 23 de junho, a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia (RFCA) participou da Semana de Ação Climática de Londres (London Climate Action Week), integrando o painel “Caminhos para o financiamento de soluções climáticas lideradas pela comunidade: um diálogo multissetorial promovido por fundos do Sul Global”, realizado pela Casa Sul Global.
Representando a RFCA, esteve presente Josimara Baré, coordenadora do Fundo Indígena Rutî, fundo membro da Rede. Em uma participação marcada pela força política e pela defesa dos territórios amazônicos, Josimara conduziu a leitura do posicionamento da RFCA diante de representantes de fundos comunitários, organizações da sociedade civil, filantropias, instituições financeiras e lideranças internacionais comprometidas com a agenda climática.
Durante sua fala, Josimara convidou representantes dos fundos presentes a se levantarem ao seu lado, transformando o momento em um gesto coletivo de unidade e reafirmação do protagonismo dos povos e comunidades tradicionais na construção de soluções para a crise climática.
Em seu discurso, a representante da Rede destacou que a RFCA é formada por nove fundos comunitários que surgem dos movimentos sociais e atuam ao lado de povos indígenas, quilombolas, extrativistas, quebradeiras de coco babaçu, mulheres, agricultores familiares e outras comunidades tradicionais da Amazônia brasileira.
A fala ressaltou que os fundos comunitários amazônicos já demonstram, na prática, sua capacidade de mobilizar recursos e fortalecer iniciativas locais voltadas à proteção territorial, produção sustentável, soberania alimentar, agroecologia, extrativismo, fortalecimento das mulheres e juventudes, comunicação comunitária, governança local e enfrentamento dos impactos da emergência climática.

“Não estamos falando de uma ideia futura, nem de uma promessa. Estamos falando de mecanismos que já existem, que já movimentam recursos, que já acompanham projetos nos territórios e que já demonstram capacidade de fazer o financiamento chegar mais perto de quem cuida da floresta”, afirmou Josimara durante a leitura do posicionamento da Rede.
Ao longo da intervenção, a RFCA reforçou a necessidade de transformar o reconhecimento internacional do papel das comunidades amazônicas em compromissos concretos de financiamento direto, flexível e de longo prazo. A mensagem destacou que os recursos climáticos ainda percorrem caminhos excessivamente burocráticos antes de chegar aos territórios, comprometendo a capacidade de resposta das comunidades diante dos impactos cada vez mais intensos da crise climática.
Em um dos momentos mais marcantes da fala, a Rede enfatizou que as soluções para a emergência climática já existem e estão sendo construídas diariamente nos territórios:
“O que falta não são soluções. O que falta é confiança. Confiança para que os recursos cheguem diretamente aos territórios. Confiança para reconhecer que nossas organizações sabem decidir. Confiança para entender que nossos fundos comunitários não são experimentos, mas caminhos reais para transformar a arquitetura do financiamento climático.”
A participação da RFCA na Semana de Ação Climática de Londres reforça o compromisso da Rede em ampliar a incidência internacional dos fundos comunitários amazônicos e fortalecer o debate sobre a democratização dos recursos climáticos. Também evidencia a importância de espaços como a Casa Sul Global para promover o diálogo entre organizações do Sul Global e influenciar transformações nas estruturas de financiamento voltadas à justiça climática.

Ao encerrar sua fala, Josimara Baré deixou uma mensagem que sintetiza o chamado da Rede aos governos, filantropias e instituições financeiras:
“O mundo precisa escolher se continuará falando sobre nós ou se terá coragem de construir conosco. Porque a resposta não virá de longe dos territórios. A resposta somos nós.”
A participação da RFCA em Londres reafirma que não haverá soluções efetivas para a crise climática sem o fortalecimento dos povos e comunidades que historicamente protegem a Amazônia. Mais do que beneficiários de políticas e recursos, esses territórios são centros vivos de conhecimento, resistência e inovação para um futuro climático justo e sustentável.
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