RFCA leva propostas para fortalecer o financiamento climático direto durante intercâmbio regional em Manaus

Encontro em Manaus reuniu organizações da América Latina para debater o acesso direto ao financiamento climático e construir propostas de incidência política rumo à COP31.

Entre os dias 4 e 6 de agosto, a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia (RFCA) participou do Intercâmbio Regional sobre Financiamento Climático Direto, realizado em Manaus (AM). O encontro reuniu representantes de organizações indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais, fundos territoriais e organizações da sociedade civil de diversos países da América Latina para discutir estratégias que ampliem o acesso direto aos recursos climáticos e fortaleçam a governança territorial.

Ao longo dos três dias de programação, os participantes debateram temas como a arquitetura global do financiamento climático, os compromissos internacionais após a COP30, experiências de acesso a fundos multilaterais e bilaterais, mecanismos de REDD+, pagamento por serviços ambientais, além dos desafios e oportunidades para os fundos territoriais e comunitários. O intercâmbio também foi um espaço de construção coletiva de propostas para fortalecer a incidência política das organizações rumo à COP31.
A Rede de Fundos Comunitários da Amazônia participou do encontro compartilhando sua experiência na promoção de mecanismos de financiamento geridos pelas próprias comunidades, reforçando a importância de que os recursos climáticos cheguem diretamente aos territórios e respeitem as formas de organização dos povos da Amazônia. A experiência da RFCA foi apresentada durante a mesa dedicada aos fundos e mecanismos financeiros gerenciados por povos e pela sociedade civil.

Representaram a RFCA no intercâmbio:

  • Celiane – Fundo Indígena do Rio Negro;
  • Ivete – Fundo Dema;
  • Clésia e Luciene – Fundo Babaçu;
  • Marta – Fundo Luzia Dorothy do Espírito Santo;
  • Jonas – Fundo Indígena Timbira;
  • Robson – Fundo Puxirum;
  • Rose – Fundo Indígena Podáali;
  • Valéria – Fundo Quilombola Mizizi Dudu;
  • Sulamita – Fundo Indígena Rutî.
Valéria Carneiro em painel Panorama geral de fundos de acesso direto, lacunas e desafios para sua efetividade e funcionamento. Foto: Robson Delgado Baré – Manaus/AM.

Além da troca de experiências com iniciativas de diferentes países, as lideranças da Rede contribuíram para a elaboração de recomendações voltadas ao fortalecimento das políticas de financiamento climático direto, destacando a necessidade de ampliar a participação das organizações comunitárias nos espaços de decisão.

Luciene Figueiredo, do Fundo Babaçu e membra do Colegiado da RFCA no Intercâmbio Regional sobre Financiamento Climático Direto. Foto: Robson Delgado Baré – Manaus/AM.

Para Luciene Figueiredo, do Fundo Babaçu, é fundamental que a Rede tenha representação nos espaços onde são definidas as políticas e estratégias de financiamento.

“Adicionar a RFCA nos comitês existentes sobre financiamento, seja em órgãos nacionais e internacionais, para ter representatividade de todos os grupos sociais da Amazônia e não apenas um grupo.”

A representante do Fundo Quilombola Mizizi Dudu, Valéria Carneiro, ressaltou que a construção das políticas climáticas deve reconhecer a diversidade dos povos e fortalecer a visibilidade dos territórios quilombolas “Respeitar a atuação dos grupos sociais e dar visibilidade aos quilombos.”

Já Rose Apurinã, do Fundo Indígena Podáali, reforçou que o acesso aos recursos climáticos precisa considerar a realidade vivida por todos os povos indígenas, independentemente da situação fundiária de seus territórios.

“Os recursos devem ser destinados a todos os territórios, independentes se são demarcados ou não, pois todos sofrem ameaças e violências constantemente.”

Rose Apurinã do Fundo Indígena Podáali no painel Fundos multilaterais, bilaterais, avanços e experiências de acesso. Robson Delgado Baré – Manaus/AM.

As contribuições apresentadas pela RFCA reforçam uma mensagem comum entre os participantes do intercâmbio: o financiamento climático precisa ser mais democrático, acessível e territorializado. Para que seja efetivo, é necessário reconhecer o protagonismo dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais na conservação da Amazônia e garantir que esses atores participem das decisões sobre a distribuição e a gestão dos recursos destinados ao enfrentamento da crise climática.

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